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Erro da Administração: servidor público precisa devolver valores?

Situações envolvendo pagamentos indevidos pela Administração Pública são mais comuns do que se imagina. Gratificações calculadas de forma incorreta, adicionais pagos a maior ou valores depositados por meses ou até anos podem, posteriormente, ser objeto de cobrança do servidor público.

A principal dúvida nesses casos é se o servidor é obrigado a devolver valores que recebeu regularmente.

Quando se caracteriza o erro administrativo?

O chamado erro administrativo ocorre quando:

  • o pagamento equivocado foi causado exclusivamente pela Administração
  • o servidor não solicitou, induziu ou contribuiu para o erro
  • o valor foi pago normalmente na folha de pagamento

Nessas situações, o erro não pode ser atribuído ao servidor.

Boa-fé do servidor público

A boa-fé é elemento central na análise desses casos. Considera-se que o servidor agiu de boa-fé quando:

  • não tinha conhecimento do erro
  • não solicitou o pagamento indevido
  • recebeu os valores como parte regular da remuneração

Se houver comprovação de que o servidor sabia da irregularidade e, ainda assim, se beneficiou, a devolução pode ser exigida.

O que diz a Justiça?

A jurisprudência consolidou o entendimento de que valores recebidos de boa-fé, por erro exclusivo da Administração, não devem ser devolvidos. Esse posicionamento busca proteger a segurança jurídica e evitar que o servidor arque com falhas administrativas que não provocou.

Desconto em folha: o que a Administração deve observar?

Mesmo quando há questionamento sobre valores pagos, o desconto em folha:

  • não pode ser automático
  • exige abertura de processo administrativo
  • deve garantir contraditório e ampla defesa
  • exige comprovação de eventual má-fé do servidor

A ausência dessas etapas viola os princípios da legalidade e do devido processo legal.

Informação jurídica evita prejuízos indevidos

Nem toda cobrança é legítima, assim como nem todo pagamento indevido gera obrigação automática de devolução. Cada situação exige análise técnica das circunstâncias, da boa-fé e do procedimento adotado pela Administração.

Antes de aceitar descontos ou firmar acordos, buscar orientação com um advogado de sua confiança é fundamental para proteger direitos e evitar prejuízos indevidos.

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